Vou tomar um rumo qualquer e fugir.
Não vou me despedir
Vou entrar num riacho. Correr por aí
A necessidade de mudança é imediata...
Quero a morte como futuro certo
Não quero relógio, nem calendários
Quero libertar-me dos vícios
Das amarradas, das correntes
Quero olhar pra frente e ver...
Vou cortar meus pulsos
Vai esvair-se meu sangue
Vou pegar carona em meu desejo
E fazer dele um beijo de dor
A necessidade de mudança não mudou
Quero a morte como futuro certo
Quero uma rede e um livro
Escrito por um credo, tão pobre quanto o meu
Vou subir em uma árvore
Ver o mundo por um outro vértice
Vou contar as folhas e pedir perdão
Vou inventar a lição, da vida que não quis pra mim.
A necessidade de mudança está me mudando
Quero a morte como futuro certo
Uma cadeira de balanço, uma mão sobre a cabeça
Quero um carinho despercebido
Um acalanto, sem suplícios.
Vou partir sem rumo
Vou descer no fundo, da vala que já não existe
Quero a sorte de um recanto simples
Uma casa verde, um chão azul
Um esconderijo de mim mesmo
A necessidade de mudança... Passou
Quero a morte como futuro certo
E antes dela vida, livre, calma e plena
Vento no rosto, fundo musical
Quero a vida como um quadro
Colorido por quem quer que seja
Quero o sol ao despertar, póstuma ou não.
Deixar de ser pedra, ser mutável como flor.
E viver do amor que eu guardei pra mim.
