GFZ (G.P.Z)
Quem foi aquele que descreveu o amor?
Deveria saber quem foi, pra perguntar por que não o sinto.
Quem foi que contou o amor dos amantes secretos, suspeitos.
Disse ele que poderia resistir e existir em todos os elementos
Quem foi que te ensinou a amar?
Esse alguém não te fez acreditar que o amor é não só parte de um inteiro
Quem foi o primeiro? Primeiro, dos primeiros,
Teus amores, que perdidos vieram a tona numa tarde amarela
Num domingo de sol... De meias, te atendi ao portão.
Diz-me de quem é a arte desse espelho,
Que não reflete o amor que eu aprendi ler nos contos...
Onde está o final feliz? No escuro o perdemos.
Abra os olhos, veja que ainda estou no banco, a te esperar.
Onde foi que tu aprendeste a amar?
Não te ensinaram neste lugar que amar também é perder?
E saber, que o todo é composto só com muitos, assaz.
Viemos de algum lugar que já não importa
Nesta sapientíssima condição de sobreviver, que se encontra hoje morta.
Quando a existência do outro é o que vale teu penar.
Onde foi que eu aprendi a acreditar
Que o amor é sentimento, que vive não dentro, e sim em alguém.
Para onde foi a alegria, que tu me roubaste dos dias,
Quando deixou minha exatidão. Compreendeste que nao sei amar.
Negaste-me tua mão, pés, olhos. Outorgaste-me a inexistência.
Fez do vácuo prisioneiro. Apagaste-me num cinzeiro depois de me tragar.
Alguém que compreende teu paradeiro, o por que me recusas.
Junte a mim, numa procura, como um inteiro, pra que sozinho eu não mais esteja.
Padeça e compadeça nessa sutileza de gestos cegos. Meus próprios gestos.
Sabes que necessitei de ti outras vezes e deste-me as costas há meses.
Agora me concedestes tua ausência primaveril.
