Estou Escrevendo (EE)
Não tenho mais vontade de escrever
Na verdade, gostaria de ter bem menos vontade do que ainda tenho...
Não, minto, queria ter vontade, queria ter muita vontade, queria ter a velha vontade de me expressar, a urgência da compreensão, a urgência de me fazer compreender, a urgência de viver.
Hoje estou cansada, deixei pra viver amanha, tem muito tempo no amanhã.
Queria poder dizer que sou mediana sim, e que isso não me incomoda nem um pouco.
Queria ter coragem de dizer algumas coisas para mim mesmo, de me jogar na cara todas essas besteiras que eu cultivo, todas essas particularidades sem fundamento, todos esses valores individuais que eu aprendi a gostar, queria ter vontade de aceitar algumas coisas, queria não me sentir cômoda, ao falar de comodismo.
Queria a aceitação geral do que não me incomoda, sem ter que aceitar os incomodados.
Representar a vida, é muito complexo para o ator, mesmo quando parece muito simples para os espectadores.
Falar da tua vida sempre foi muito fácil, admito que ainda é, mas fala de mim... Falar de mim é difícil.
Tenho dificuldade até de como me portar ao receber um elogio, de falar da parte boa de mim, de bem dizer a poupa do fruto, como esperam que eu fale da casca? Como esperam que eu me abra em defeitos esperando respostas? Nem todo caminho seguido, tem estrada de volta; nem todo polo negativo tem um correspondente positivo. Sou molécula imperfeita, sou célula sem núcleo, ainda me falta o vital. Me sinto vazia.
Espero mudar. A mudança sempre foi meu titulo favorito, pena que dele não saio, que não escrevo, não desenvolvo se quer uma linha desta pagina.
Tenho pouca idade, e espero justificar nela, todo esse meu anseio, meu medo, minhas particulares opiniões sobre a vida. Espero não ser levada a serio até que complete uma determinada quantidade de vivência, medida em anos, para poder corresponder em frustrações todas as minhas indignidades.
Espero completar 100 anos de existência, para que alguém me de credito. Para perder no tempo a adolescência de sonhos, e duvidas, para trocar com o tempo a esperança pela a amargura. Espero antes dos 100 anos ter encontrado um sentido para isso.
Não espero casar, nem ter filhos, nem uma casa de veraneio, e um pastor alemão (nem outro tipo de pastor), não espero constituir família, não este ideal de família. Até por que quem conhece minha (tios, tias, primos, avós, netos), os contos e os casos que circulam pelas bocas pequenas, sabe que não tenho motivo algum de querer que isso se repita. Não deveria deixar o mal exemplo me privar da vida, de certo, nunca ei de assumir que é este o motivo da não constituição da minha, sempre me ouvirá dizer que são os princípios e as escolhas de vida, que de fato não deixam de ser também.
Não consigo me livrar do horário comercial. Não consigo me libertar dos clientes, e do trabalho escravo bem remunerado, não consigo me livrar dos consumos e dos divertimentos que custam mais que cestas básicas, não consigo me libertar do tempo.
Eu não uso relógio, (como se isso de algo me valesse). É claro que já não sou mais a Dona que conta ações em segundos, exemplos não vão faltar: Vou levantar daqui 48 segundos, Vou trabalhar daqui 12 segundos, Vou fazer essa ligação daqui 1 min e 25 seg.
Hoje eu já não sei mais quantos segundos faltam para as 12h. Mas sei que as 12h, vou levantar, pegar o rumo da minha casa, abrir a porta dizer “Cheguei” (ninguém vai responder até q eu grite o 3 “cheguei” seguido), sentar no sofá até as 12h25, vou levantar, lavar as mãos, almoçar assistindo “Friends”, vou palitar os dentes, vou ficar 3 min atrasada, vou escovar os dentes, e pegar o rumo do meu trabalho. Segunda, Terça, Quarta, Quinta ou Sexta, para mim só muda o nome, eles são absolutamente iguais.
Não é tédio, talvez seja...
Não é comodismo, mas talvez seja,
Não é falta do que fazer, minha mesa esta lotada como sempre.
(problema dos outros para eu resolver é o que não falta)
Deve ser falta de vontade, ou falta de saco, pra ficar buscando a felicidade a cada 1 min que se passa, e ela se esquece da gente, ou agente esquece dela.
É falta de perspectiva, falta de sonhos, é falta de esperança, eu não tenho o que esperar.
A felicidade é momentânea, os sentimentos são momentâneos, o prazer? O prazer é momentâneo, o riso é momentâneo, o choro? Também o é. E a vida? A vida é feita de momentos, então é natural que tudo que ela englobe seja feito do mesmo. Para que nos ater em promessas, em palavras, em pensamentos, em juras eternas? O mundo é cada vez mais instantâneo. O que eu penso hoje, não é o vou pensar amanha, muito menos o que eu estarei pesando daqui um ano, para que se importar em solidificar pensamentos, para impedir que eles passem? Para impedir o ciclo natural das coisas de serem momentâneas? Isso tudo se mostra cômodo. Deixem que o ciclo os levem, não lutem contra a maré, não desafiem a gravidade, não tentem, o inevitável nunca foi evitável, Jesus é por nós, louvem!... Balelas!
Superficial, essa palavra não deveria doer tanto, afinal quem não é?
Corajoso, bondoso, meretriz, belo, amante, amado, amigo, popular, perspicaz, fugaz, sensual, amoral, pretensioso, audacioso, misterioso, instantâneo, momentâneo... Perfeição? Para que? A perfeição é muito chata.
Somos frágeis para ouvir verdade, mas muito fortes para cria-las.
Ainda estou olhando para o relógio... Que bobagem, já disse que não uso relógios.
São 11h29, daqui alguns minutos, feitos dos mesmos segundos, você vai estar online. É claro que eu vou esquecer tudo que eu disse, agora, daqui a pouco, ontem ou á uma semana, vou buscar em você a felicidade desse momento. Ela vai passar, vou tentar esquecer dela também. Quando você for embora eu vou lembrar de mim, lembrar que não quero mais escrever e voltar a escrever.
Pronto, vc está online...

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