Wednesday, June 23, 2004

Estou Escrevendo (EE)

Não tenho mais vontade de escrever
Na verdade, gostaria de ter bem menos vontade do que ainda tenho...
Não, minto, queria ter vontade, queria ter muita vontade, queria ter a velha vontade de me expressar, a urgência da compreensão, a urgência de me fazer compreender, a urgência de viver.
Hoje estou cansada, deixei pra viver amanha, tem muito tempo no amanhã.
Queria poder dizer que sou mediana sim, e que isso não me incomoda nem um pouco.
Queria ter coragem de dizer algumas coisas para mim mesmo, de me jogar na cara todas essas besteiras que eu cultivo, todas essas particularidades sem fundamento, todos esses valores individuais que eu aprendi a gostar, queria ter vontade de aceitar algumas coisas, queria não me sentir cômoda, ao falar de comodismo.
Queria a aceitação geral do que não me incomoda, sem ter que aceitar os incomodados.
Representar a vida, é muito complexo para o ator, mesmo quando parece muito simples para os espectadores.
Falar da tua vida sempre foi muito fácil, admito que ainda é, mas fala de mim... Falar de mim é difícil.
Tenho dificuldade até de como me portar ao receber um elogio, de falar da parte boa de mim, de bem dizer a poupa do fruto, como esperam que eu fale da casca? Como esperam que eu me abra em defeitos esperando respostas? Nem todo caminho seguido, tem estrada de volta; nem todo polo negativo tem um correspondente positivo. Sou molécula imperfeita, sou célula sem núcleo, ainda me falta o vital. Me sinto vazia.
Espero mudar. A mudança sempre foi meu titulo favorito, pena que dele não saio, que não escrevo, não desenvolvo se quer uma linha desta pagina.
Tenho pouca idade, e espero justificar nela, todo esse meu anseio, meu medo, minhas particulares opiniões sobre a vida. Espero não ser levada a serio até que complete uma determinada quantidade de vivência, medida em anos, para poder corresponder em frustrações todas as minhas indignidades.
Espero completar 100 anos de existência, para que alguém me de credito. Para perder no tempo a adolescência de sonhos, e duvidas, para trocar com o tempo a esperança pela a amargura. Espero antes dos 100 anos ter encontrado um sentido para isso.
Não espero casar, nem ter filhos, nem uma casa de veraneio, e um pastor alemão (nem outro tipo de pastor), não espero constituir família, não este ideal de família. Até por que quem conhece minha (tios, tias, primos, avós, netos), os contos e os casos que circulam pelas bocas pequenas, sabe que não tenho motivo algum de querer que isso se repita. Não deveria deixar o mal exemplo me privar da vida, de certo, nunca ei de assumir que é este o motivo da não constituição da minha, sempre me ouvirá dizer que são os princípios e as escolhas de vida, que de fato não deixam de ser também.
Não consigo me livrar do horário comercial. Não consigo me libertar dos clientes, e do trabalho escravo bem remunerado, não consigo me livrar dos consumos e dos divertimentos que custam mais que cestas básicas, não consigo me libertar do tempo.
Eu não uso relógio, (como se isso de algo me valesse). É claro que já não sou mais a Dona que conta ações em segundos, exemplos não vão faltar: Vou levantar daqui 48 segundos, Vou trabalhar daqui 12 segundos, Vou fazer essa ligação daqui 1 min e 25 seg.
Hoje eu já não sei mais quantos segundos faltam para as 12h. Mas sei que as 12h, vou levantar, pegar o rumo da minha casa, abrir a porta dizer “Cheguei” (ninguém vai responder até q eu grite o 3 “cheguei” seguido), sentar no sofá até as 12h25, vou levantar, lavar as mãos, almoçar assistindo “Friends”, vou palitar os dentes, vou ficar 3 min atrasada, vou escovar os dentes, e pegar o rumo do meu trabalho. Segunda, Terça, Quarta, Quinta ou Sexta, para mim só muda o nome, eles são absolutamente iguais.
Não é tédio, talvez seja...
Não é comodismo, mas talvez seja,
Não é falta do que fazer, minha mesa esta lotada como sempre.
(problema dos outros para eu resolver é o que não falta)
Deve ser falta de vontade, ou falta de saco, pra ficar buscando a felicidade a cada 1 min que se passa, e ela se esquece da gente, ou agente esquece dela.
É falta de perspectiva, falta de sonhos, é falta de esperança, eu não tenho o que esperar.
A felicidade é momentânea, os sentimentos são momentâneos, o prazer? O prazer é momentâneo, o riso é momentâneo, o choro? Também o é. E a vida? A vida é feita de momentos, então é natural que tudo que ela englobe seja feito do mesmo. Para que nos ater em promessas, em palavras, em pensamentos, em juras eternas? O mundo é cada vez mais instantâneo. O que eu penso hoje, não é o vou pensar amanha, muito menos o que eu estarei pesando daqui um ano, para que se importar em solidificar pensamentos, para impedir que eles passem? Para impedir o ciclo natural das coisas de serem momentâneas? Isso tudo se mostra cômodo. Deixem que o ciclo os levem, não lutem contra a maré, não desafiem a gravidade, não tentem, o inevitável nunca foi evitável, Jesus é por nós, louvem!... Balelas!
Superficial, essa palavra não deveria doer tanto, afinal quem não é?
Corajoso, bondoso, meretriz, belo, amante, amado, amigo, popular, perspicaz, fugaz, sensual, amoral, pretensioso, audacioso, misterioso, instantâneo, momentâneo... Perfeição? Para que? A perfeição é muito chata.
Somos frágeis para ouvir verdade, mas muito fortes para cria-las.
Ainda estou olhando para o relógio... Que bobagem, já disse que não uso relógios.
São 11h29, daqui alguns minutos, feitos dos mesmos segundos, você vai estar online. É claro que eu vou esquecer tudo que eu disse, agora, daqui a pouco, ontem ou á uma semana, vou buscar em você a felicidade desse momento. Ela vai passar, vou tentar esquecer dela também. Quando você for embora eu vou lembrar de mim, lembrar que não quero mais escrever e voltar a escrever.
Pronto, vc está online...

Thursday, June 10, 2004

MUDAR (M)

(Clarisse Lispector)

Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.

Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.

Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue fora os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.

Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem
despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!!

Saturday, June 05, 2004

Isabela (I)

Nem acordo e Isabela já está na rua.
Vejo meia sombra da janela
Lá vai eu, mais ela, pra escola da vida sem futuro
Ela na rua dela, eu na minha via escura...

Estranho é ver Isabela carregar seu saco de pão
Estranho é ver como ela corre entre as árvores
Corre lá Isabela – grito eu em pensamento
Se eu pudesse dizer, eu até diria
Mas as vezes Isabela me assusta
Impetuosa, anda leve, quase não tem pé

Da minha janela não consigo ver Isabela
Entre nós tem uma arvore
Se não fosse eu, crente da impiedade da natureza
Mandava eu mais eu mesmo arranca essa palmeira

Hoje vi Isabela sentada num muro,
Nem me viu, nunca me vê...
Não devia contar, se ela descobre manda me matar, mas...
Isabela tem cara de anjo
Anjo mesmo eu nunca vi
Mas em igreja eu sempre vou
Fico olhando p’ro céu...
Céu de igreja também tem estrela
Fico olhando pra imagem pintada de Isabela
É claro que não é ela, mas já disse...

Isabela tem cara de anjo... E corpo de demônio
Me sobe um ar quente, que penso nas suas saias, no cheiro dos seus cabelos
Não devia ter dito nada! Devia ser como Isabela...
Sempre calada, é do tipo que nunca que vai perder a língua
Talvez ela nem conheça as palavras

Ela lá risonha com um livro de historia contada
Já tentei chegar bem perto pra ler o cabeçalho
Nunca que consigo.
Isabela não anda por aí cheia de livro, é só um.
Nem sei se já foi na escola
Ela deve ter nascido já sabida das idéias

Deve fazer gosto de escritas de amor
Certa vez fiz um poema pra Isabela
Mas não tive coragem de ler
Audácia minha seria entregar
Era capaz de pela primeira vez ela abrir a boca,
E dali sair fogo pra queimar essas minas caraminholas
Foi assim, prometi pra Isabela que nunca mais escreveria

Já é noite, Isabela vai dormir com a lua
Fico eu na janela, vendo a sombra da palmeira, pensando que é ela
Qualquer dia encho a garganta de som, e pergunto o nome dela
Pergunto se gosta de vermelho, se quer dar um passeio,
Se pode me dar algumas palavras em confiança de meu respeito,
Se pode me dizer onde mora, se namorar, se o pai deixa namorar

Bem sei que é pessoa particular, que não é de conhecimento nem meu, nem dela
Que se fosse normal ser Isabela, eu não pensava nela pra casar
Pra lá de depois da palmeira construir um lar,
Assim com eu sempre quis fazer, jardim e cozinha, sala e quarto.
Que no amanhecer penso eu que seria feliz pra sempre

Não, sei que foi besteira pensar assim
Que fui eu que inverti, eu que nasci errado,
Que fui eu o bichado assim que pisei aqui
Agora tenho que fazer a vida, assim como ela fez de mim
Seria bom se Isabela existisse, e que a solidão de mim partisse
Mas a esperança assim me mostra, morta
Como pedra de raio que vai e nunca mais volta.

Heloisa Alvarez

Thursday, June 03, 2004

Só Por Hoje, Por Você e Por Mim (SPH PV PM)

Só por hoje tentaremos ser melhores, faremos promessas, choraremos por perder.
Só por hoje iremos pra escola, não assistiremos nenhuma aula, ficaremos falando sobre coisas relativas e escreveremos poemas instantâneos.
Só por hoje comeremos chocolate, chamaremos de Biscoiteiro, falaremos mal da Avril Lavigne, julgaremos quem não pensa.
Só por hoje falaremos que a vida é um saco, e que alguém esta com TMP.
Só por hoje sentaremos no fundo, e o truta lá do outro lado sentará com agente.
Só por hoje confirmaremos a viadisse alheia, choraremos por problemas estúpidos, diremos q não valeu a pena.
Só por hoje te condenarei a minha amizade.
Só por hoje quero ser correspondida.
Só por hoje quero ouvir vc falar q não é da igreja, e eu falar q sou Jesus.
Só por hoje quero pensar "que a vida devia ser bem melhor e será".
Só por hoje não vou lembrar de quem me traiu, de quem me decepcionou, de quem me machucou, de quem não foi tão verdadeiro.
Só por hoje vamos todos juntos como antigamente, ao truco nosso de cada dia, a pizza de frango que acaba num minuto, comeremos macarrão purê, faremos A Hora da Verdade mais poser do mundo, falaremos sobre saltos vermelhos, vestidos de enfermeiras e beijos escondidos.
Só por hoje condenaremos, desejaremos a morte alheia, iremos pra hotéis, pra chácaras, ou mesmo pra sua casa, naquela velha disposição de quem reclama de tudo, amaremos sem amor, diremos sem dizer, comeremos com os olhos, vibraremos ao assinar um poema “fodastico”, nos empolgaremos pra contar uma historia, falaremos com nosso amigo punk.
Só por hoje não entraremos na internet, não queimaremos fotos, não diremos que tudo foi em vão.
Só por hoje acreditaremos nas ideologias, nas fantasias, nos desejos, e nos medos.
Só por hoje vamos nos achar caretas, nos achar estranhas, falaremos de política.
Só por hoje criticaremos, duvidaremos, e questionaremos.
Só por hoje seremos felizes por viver, seremos fáceis de se entender, só por hoje seremos mais vivas.
Só por hoje lembraremos de como é bom ter amigos, de como é bom viver.
Só por hoje falaremos de boca cheia, fingiremos ter educação, tentaremos fugir do padrão.
Só por hoje teremos todas as estações no mesmo dia, todas as luas de uma noite linda, teremos todos os sonhos de quem acredita.
Só por hoje cantaremos cazuza, jogadas na grama, amaremos os urubus.
Só por hoje falaremos de família, desejaremos propriedades, nos gabaremos da matemática.
Só por hoje você vai fingir que não doeu, que vão ser amigos pra todo sempre.
Só por hoje você vai fingir não ser mais crente.
Só por hoje falarei do Happy Wood, falarei mal do teu time, te chamarei de truta.
Só por hoje não lembrarei que você mora em Salvador, ou em Porto alegre, te sentirei bem perto, bem presente.
Só por hoje você vai reclamar q eu faço drama, que eu não arrumo minha cama, que eu sou relaxada.
Só por hoje vou dar valor ao que eu tenho e não ao que eu perdi.
Só por hoje não lembrarei dos cabelos vermelhos da minha avó, das perdas, das dores, dos tempos.
Só por hoje vou deixar tu me chamar de vermelha, de maldita, de pivete.
Só por hoje te chamarei de Samambaia, de Grande Atriz de Merda, de Xuxu, direi que estao TODOS CONDENADOS.
Só por hoje quero pedir sua amizade, mesmo sendo um egoísmo sem tamanho dizer que suas criticas me fazem falta.
Só por hoje leremos, não iremos pra baladas, ouvirei jazz por você, desejarei ser amada.
Só por hoje pareceremos doidas, alopradas, sem futuro, desvairadas.
Só por hoje chamaremos Marx de Papai, o PC de Tiburcio, e o Bush de Maldito.
Só por hoje seremos por nós e pelo infinito, seremos pelo eterno, imaginaremos como seria voar.
Só por hoje você será a minha companhia, meu par de valsa sozinha, meu amigo cabeção.
Só por hoje cantaremos Rap sem saber, Raul por querer, e Chico pra viver!
Só por hoje serei mais por você que por mim, julgaremos o ser que infelizmente virou ter.
Só por hoje poderemos viver... porque afinal, amanhã será hoje, e hoje, e sempre!

Em resposta ao post do dia 27 de Abril de 2004 do blog da Bá (www.mudandoomundo.weblogger.terra.com.br)
* Repostagem do dia 27 de Abril de 2004 que o outro blog comeu)

Aos trutas!

Tuesday, June 01, 2004

Nova Moda BLOGlástica (NMB)

Todo mundo andou fazendo isso

Nada melhor do que o popular pra começar:

"ACQUISITIO DOMINI PER POSSESSIONEM PROLIXAM ET JUSTAM VEL ACQUISITIO PER USUM (loc. lat.) Aquisição de domínio por posse prolongada e justa, ou aquisição por uso."

Vocabulário Prático de Tecnologia Jurídica e de Brocardos Latinos - Iêdo Batista Neves.
(Livro mais próximo, na minha mesa a esquerda do fax)

***

"Dividir filósofos segundo sua posição em relação a uma questão ampla é uma divisão genérica e produz alianças estranhas."

O Mal no Pensamento Moderno - Susan Neiman.
(Livro pessoal mais próximo, na minha mochila em baixo da mesa)

- Pegue o livro mais próximo de você.
- Abra o livro na página 23.
- Transcreva a quinta frase.
- Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.