Monday, July 13, 2009

21:21

Volto para a solidão da minha casa. vazia.

Alimento os peixes. solidão coletiva de um aquário.

Em cartaz hoje: O quanto a vida me deprime.

Com a mesma vontade de quem acorda para trabalhar em uma segunda-feira de carnaval

Sento-me no sofá: já estou online.

Sempre online.

Sofá: objeto decorativo. conforto e comodidade em 12x sem juros.

Digo que fui ao parque correr esta tarde; mentira.

Que está tudo bem; mentira

Pergunto que fez do dia; pouco importa.

Digo ter ido ao shopping e comprado coisas das quais nunca precisei; mentira.

Você me acha atraente; pouco importa.

Nunca desenvolveremos nenhum tipo de romance efetivamente;

Nos divertimos com as cantadas e as piadas de mau gosto; mentira

off-line: liberdade ao alcance de um botão.

Consumo meus dias como quem consome um iogurte vencido.

Nojo. seguido por arrependimento. seguido por medo de passar mal.

Neste momento recebo uma ligação que deveria servir de consolo.

Consolo: genitália masculina de borracha sempre disposta.

Sento no sofá com a mesma cara de bunda de outrora.

O Johnny Cash continua tocando.

Essa porra de telefone que não cala a boca!

Dias que as horas são intermináveis.

Interminável: o maior pé no saco.

“Os melhores vinhos também viram vinagre.” é o melhor que posso pensar agora.

Um sentimento de abandono me toma.

Não se parece em nada com término de relacionamento, ausência de pessoa querida ou morte próxima.

Abandono: o coco do cavalo do bandido.

Na vitrola imaginária um tango argentino emenda o soneto.

Ensaios sobre o colchão.

Dormir não é remédio, é mal do século.

Solidão: 9 punhais afiados.

Sunday, February 04, 2007

faz praticamente 2 anos
que não mais escrevo aqui.
isso não iria mudar hoje.


não mesmo. esquece!


isso nao é um retorno.
não parece um retorno.
eu NUNCA vou voltar.


não mesmo. esquece!


apenas quem se
arrepende regressa.
quem sente "saudade"


não mesmo. esquece!



eu não sinto nada.
sinto sono e fome.
quem tem sono
não escreve. dorme.



não mesmo. escreve!

Monday, March 28, 2005

Vou tomar um rumo qualquer e fugir.
Não vou me despedir
Vou entrar num riacho. Correr por aí
A necessidade de mudança é imediata...
Quero a morte como futuro certo
Não quero relógio, nem calendários
Quero libertar-me dos vícios
Das amarradas, das correntes
Quero olhar pra frente e ver...

Vou cortar meus pulsos
Vai esvair-se meu sangue
Vou pegar carona em meu desejo
E fazer dele um beijo de dor
A necessidade de mudança não mudou
Quero a morte como futuro certo
Quero uma rede e um livro
Escrito por um credo, tão pobre quanto o meu

Vou subir em uma árvore
Ver o mundo por um outro vértice
Vou contar as folhas e pedir perdão
Vou inventar a lição, da vida que não quis pra mim.
A necessidade de mudança está me mudando
Quero a morte como futuro certo
Uma cadeira de balanço, uma mão sobre a cabeça
Quero um carinho despercebido
Um acalanto, sem suplícios.

Vou partir sem rumo
Vou descer no fundo, da vala que já não existe
Quero a sorte de um recanto simples
Uma casa verde, um chão azul
Um esconderijo de mim mesmo
A necessidade de mudança... Passou
Quero a morte como futuro certo
E antes dela vida, livre, calma e plena
Vento no rosto, fundo musical
Quero a vida como um quadro
Colorido por quem quer que seja

Quero o sol ao despertar, póstuma ou não.
Deixar de ser pedra, ser mutável como flor.
E viver do amor que eu guardei pra mim.

Friday, December 24, 2004

GFZ (G.P.Z)

Quem foi aquele que descreveu o amor?
Deveria saber quem foi, pra perguntar por que não o sinto.
Quem foi que contou o amor dos amantes secretos, suspeitos.
Disse ele que poderia resistir e existir em todos os elementos
Quem foi que te ensinou a amar?
Esse alguém não te fez acreditar que o amor é não só parte de um inteiro
Quem foi o primeiro? Primeiro, dos primeiros,
Teus amores, que perdidos vieram a tona numa tarde amarela
Num domingo de sol... De meias, te atendi ao portão.
Diz-me de quem é a arte desse espelho,
Que não reflete o amor que eu aprendi ler nos contos...
Onde está o final feliz? No escuro o perdemos.
Abra os olhos, veja que ainda estou no banco, a te esperar.
Onde foi que tu aprendeste a amar?
Não te ensinaram neste lugar que amar também é perder?
E saber, que o todo é composto só com muitos, assaz.
Viemos de algum lugar que já não importa
Nesta sapientíssima condição de sobreviver, que se encontra hoje morta.
Quando a existência do outro é o que vale teu penar.
Onde foi que eu aprendi a acreditar
Que o amor é sentimento, que vive não dentro, e sim em alguém.
Para onde foi a alegria, que tu me roubaste dos dias,
Quando deixou minha exatidão. Compreendeste que nao sei amar.
Negaste-me tua mão, pés, olhos. Outorgaste-me a inexistência.
Fez do vácuo prisioneiro. Apagaste-me num cinzeiro depois de me tragar.
Alguém que compreende teu paradeiro, o por que me recusas.
Junte a mim, numa procura, como um inteiro, pra que sozinho eu não mais esteja.
Padeça e compadeça nessa sutileza de gestos cegos. Meus próprios gestos.
Sabes que necessitei de ti outras vezes e deste-me as costas há meses.
Agora me concedestes tua ausência primaveril.


Thursday, September 30, 2004

Contos de João e Maria (C.J.M.)

Maria, que era companheira de quarto de Glória, que era cunhada de Antônio, que jogava futebol aos sábados com um tal de Edvander.
Esse tal de Edvander, que torcia p’ro corinthians, namorou por um verão e meio a balconista do Clube BoltBall, onde ele jogava futebol aos sábados.
A balconista que por sua vez, chamava-se Raquel, e era branca como pasta de dente, era apaixonada por Antônio.
Antônio que já era casado a um par de tempos e por sua mulher matara e morrera, tinha um primo de nome João, que não acreditava dessa historia de sentimentos, cumplicidade, e para sempre.
João que passara as férias no litoral e conhecera Glória, que estava amando um tal de Edvander.
Avistara Maria sentada, olhando o movimento pitoresco do local.
Maria que por sua vez já conhecia todo esse “blábláblá” de amor, primeira vista e para sempre, expunha seu colo como produto em liquidação.
Dos pedestres e ciclistas, motociclistas e motoristas que passavam pela tarde de Maria, ela nem os vira passar, olhara para o nada.
Como se fora 1 minuto contado em relógio de pulso, ela virou-se para a direita e cruzou os olhos com os olhos de João.
João que continuava a olhar Maria agora a fizera cruzar as pernas, que o fez cruzar os braços, e já se mordiam os lábios, e se cruzavam as línguas, que já não se comunicavam por palavras, já enlaçavam as cinturas e os ombros. A respiração ritmava, e as mãos que apertavam, e os sentidos que faltavam e os desejos que afloravam, a tarde que caia.
Os dois que se cruzaram só de se olharem, agora disfarçavam a tensão, a identificação, e voltavam seu olhar novamente para o nada.
Os olhos que ainda se olhavam mesmo estando de costas, dançavam como damas acompanhadas em bailes de classe.
Maria que agora não pensa mais em ilusões sofridas, fechara um pouco o decote para parecer moça fina.
João que só pensava no que pensar, acabara por não pensar em nada.
João a queria, isso já se sabia
Maria se escondia, disfarçava o rubro da face
João se atrevia,
Maria sorria...
Maria sorria!
Ah! João, que euforia.
João assentou-se ao lado, como par de vaso florido
Maria o olhara, não o deixara perceber
João ensaiava, frases prontas que lia em livros
Maria o olhara e agora não pudera mais voltar o rosto
João também estava a olhar
Como galope desenfreado de quem foge do perigo
João pegara em sua mão.
Maria sentia o calor, queimava em brisa.
O calor não emanava dos tecidos grudados, das mãos suadas, coladas pelo sol. Não era a pressão massas contra massas. Não era a importância mínima que o universo exercia ali. Eram seus dedos laçados, enlaçados e entrelaçados nas mãos de outrem que nem ao menos se apresentara.
Sentiu-se menina, sentiu-se mulher, sentiu-se dama, vadia, sentiu desejo.
Ele só pegara em sua mão, mas que tolice...
Tolice era a repressão deste delírio, sentiu-se líder de 84.
Sentiu-se livre, destemida de conceitos sobre viver.
Maria não acredita em amor, flores, e dias seguintes...
Sentiu-se provido, movido, vivido. Sentiu-se maduro pra nada dizer.
Sentado em silêncio, olhando sem medo. Sentiu-se pleno
João não acredita em amor, cartões, e bem-me-queres...
Ali, apenas sentados na rua já quase escura,
Sem pretensões amorosas, futuros perfeitos, e sonhos possíveis
Apenas sentados. Calados. Selados como cartas
Na tarde que já estava se despedindo, em segundos que jamais se repetiriam.
Ela era só Maria, ele sempre fora só João. O momento os pertencia, mas eles... Eles eram livres.
Não eram conhecidos, não eram amigos, não eram amantes, não necessitavam ser.
Não acreditavam em compromissos, em denominações, em posses, e não necessitavam crer.
Eles que nem sempre foram, para si, suficientes
Agora condizentes, reviravolteantes, estavam. Sentados inertes. Com as cernes ausentes.
Se permitiam não ser, não crer, não ter, não entender, não saber... Apenas estar.
Versando as valsas conjuntas, cantavam para si as canções que os rádios copiosamente insistiam em pulsar sem pressa.

Thursday, September 23, 2004

Chato - Chata - Chatos (C.C.C.)

Recebi um “Mandato de Despejo” do blogger, dizendo q se eu não postar iriam cancelar minha conta.

Esse é o post numero 135 que talvez eu não post.

Estava relendo meu blog antigo, poxa... Lá eu era muito mais feliz. Cretinamente muito feliz. Mas não há provas concretas que a felicidade não é cretina. Por sua vez, por se chamar assim como muitos preferem, Felicidade Feliz, a felicidade dificilmente seria cretina. Ok, ponto.

Ano passado vivi uma fase muito foda, nada traduz melhor que o adjetivo FODA.
2004 eu disse: “Bazona, esse ano promete”. Promete... “Ser uma bosta”, deveria ter emendado...

Obs. Ao contrario do que vc pensa,(e eu também penso mas como odeio ser previsível vou ter q mudar), esse não é um post de reclamações da inércia. É um post... hunf... CHATO.
Sim, essa é a proposta. Ser absurdamente CHATA.

Diferente do ano passado que eu pensava:
VAMOS MUDAR O MUNDO,
esse ano a crise é:
PRECISO MUDAR DO MUNDO.

- Tá, e daí?
- E daí o que?
- Quem liga?
- Eu ligo. E Vc? Vc liga?
- Pra que?
- P’ro que eu ligo, Liga? Não? Sim? Talvez? Pula? Pede as cartas? Pede ajuda os candidatos a prefeitura de SP? Aos selecionados pelo Processos Seletivo UNIP? Ao GRAJADP, Grupo de Apoio aos Jogadores e Aprendizes de Damas de Pindamonhangaba? Bom, se não ligar também, FODA-SE. Eu também não ligo p’ro que vc liga.
- Não?
- NÃO! E assim somando: EU não ligo pra vc + quero que vc se foda + VOCÊ não liga pra mim + quer que eu me foda, temos uma equação continua, recíproca e curiosa...
- Tá, e daí?
- E daí o que?
- Quem liga?...

Tá-tá-tá, Eu entendo o quanto isso é mega-super-ultra-chato. Aliás, quem não quer ler o post ultra-mega-super-chato, é só não entrar no MEU (pronome possessivo, em primeira pessoa do singular EU) blog super-mega-ultra-chato.

Faz-me um favor imenso em não digitar aqui as suas sempre dispensáveis opiniões.
É, to de mal humor mesmo, e não me obrigue a fazer piadas com a sua mãe, aquela... Simpatia de Sra. que teve a cara de pau (PEROBA NELA) de colocar você, criatura de origem duvidosa, no tão perfeito e feliz planeta Terra.

Rosa Rosalina, Dra. Avanir, Paulo Maluf, Ari Toledo, Jack Chan, Bob Esponja, Bozzo, Atim e Espirro, que os digam, CHATICE É DOENÇA..

Há uma explicação científica para a proliferação dessa terrível doença? Sim.
As vezes, e só as vezes, essa doença que também é genéticos-potossomas crônica (de nascença), pode ser desenvolvida em seres humanos durante o chamado “vitalíniun cíclus” que começa com 9 meses completos de gestação até 89 anos completos.
Existem muitos casos, com fatos conclusos, de seres que desenvolveram o que podemos chamar de “Desgostossodomia de Vitáliun” ou “Mal-Amadorise”, que é a manifestação mais comum e ocorrente.
Essa doença pode se manifestar tanto física como psicologicamente nos seres, a exemplo disso temos a “Frescurítius no Hanus ”e a “Hanus-Doce” que são manifestações físicas, e como manifestações psicológicas a “Mongossoplasmose” e a “CretinissiesFDPutídicas”.

Haverá então uma explicação sobrenatural para a proliferação dessa terrível doença? Sim.
Em consulta com a famosa a Mãínha Inhá, a mãe preta/gurú dos artistas globais mega famosos, diz que isso é trabalho feito. Que pra desfazer o trabalho de encosto de chatice, é necessário: 3 gomos de mexerica silvestre; 2 velas cor de piche; 1 galinha com 10 dias de vida, também cor de piche; 1 vaso de barro; 1 kg de farinha de mandioca; 3 litros de cachaça; 2 rosa vermelha; e R$ 25.000,00 reais, que poderão ser pagos em 2 vezes no cartão de crédito, transferência bancaria, ou com cheque especial pra 30 dias.
Em consulta com o não menos famoso Sr. Padre QUE-VE-DO, o padre/medico/gurú/apresentador de tv/jardineiro/gigolô dos artistas globais mega famosos, obtivemos a seguinte informação: Ecxte fenômeno pôde ser facxilmente ecxplicado pêla Parapxsicologia, nom sendo axssim conxsiderado una doênxça.

Haverá então uma explicação religiosa para a proliferação dessa terrível doença? Sim.
Muitos anos atrás, antes mesmo de Maomé subir a montanha, nos tempos em que Maria Madalena freqüentava o Sitio de Belém, um homem de puro coração tomou como desengano o caminho errado. Seu nome era Raimundo, não era apóstolo, não era hebreu, tinha o coração tão nobre quanto o da nobre camponesa que vai todos os dias ao bosque colher lenha. Era inocente das maledicências do demasiado homem. Porém, chegou o tempo em que o homem sucumbiu aos prazeres terrenos, esquecendo-se das leis e lições divinas. Tomara então cada um, escolher a própria sorte. Viver assim como Jesus nos ensinou em seu caminho de fé e luta, pela salvação do amor humanitário... TATATA, toda explicação religiosa já é por si só uma CHATICE!

Digam o que disserem, provem como provarem, mas... P.Q.P. como tem gente sendo chata ou sofrendo com a chatice dos outros.
Martin Luther King ainda nao teve esse sonho, mas...
Talvez, possa haver no mundo alguém capaz de entender da onde vem tanta chatice e insatisfação.
Porque ao final das contas, todos nós, reconhecidamente, já fomos, um dia, chatos o suficiente a ponto de merecer um chute no pulmão.


"OURO DE TOLO"

R.Seixas

Eu devia estar contente
Porque tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar
Um corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa

Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isto uma grande piada
E um tanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto, e daí?
E tenho uma porção de coisas grandes
Prá conquistar, eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o Domingo
Prá ir com a família ao jardim zoológico
Dar pipoca aos macacos

Ah, mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco

É você se olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo
limitado, e que só usa dez por cento
de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor
Padre ou policial
e que está contribuindo com sua parte
para o nosso belo quadro social

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dente, esperando a morte chegar

Porque longo das cercas embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
Dum disco voador...

...

*** Cumprindo o mandato de Ação Despejo, dou ciência ao Oficial de Justiça de que o inquilino não pretende desocupar o imóvel!

Monday, August 30, 2004

Segregados (S.)

Segregados pq me tomam? Escoria do meu ser, por que me afogam nestas demasias? Se for vida minha semelhante a tua, se o criador foi fonte de toda a nossa... Segregados eu lhes imploro, vinde minha alforria. Liberta ou condena-me a redenção do ser que não sou. Afaste-se do teu próprio eu sentido. Calada pureza resplandecente da fonte da nascer dos seres, em que, criador e criatura que se confrontam pela libertação de suas almas. Suplicas, não escuto mais tuas suplicas. Proclames que anunciam a vinda daquele que se glorificou ao partir. Não lhe faço cortejo, não desejo sua corte. Abrindo os braços ao vento que se lança ao sul, engasgado com as madeixas que insistem em voar, eu apenas deito, e componho-me, dos grãos desta terra. Pela santificação do meu egocêntrico dever comum, não pelas punições e privações do paraíso, Mãe amada, declaro que me rendo. Segregados pra onde me levam? Se fores bem dito coração que insiste por minhas veias pulsar... Deixe-me!